terça-feira, 16 de setembro de 2014

Artigo - Disciplinar: uma questão de Ética

Ética Familiar e Moral Social: Impasses e Caminhos foi o tema do 51º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil que ocorreu nos dia 01, 02 e 03 de maio de 2014, e que nos proporcionou grande discussão e debate com este assunto tão interessante..

Um dos artigos da revista é Disciplinar: uma questão de Ética, da querida Regina Lustre Azevedo Gabriele, integrante da Escola de Pais do Brasil - Seccional de São Paulo-Centro.


Disciplinar: Uma questão de Ética!
    Nossas escolas estão vivendo um momento crítico, principalmente na questão da disciplina. Tal situação já persiste, e vem se agravando há quase duas décadas, com podemos acompanhar pelos estudos e pesquisas levados a efeito nas mais diversas instituições acadêmicas do país.
     O professor Leandro de  Lajonquière registra que "o mal da educação atual não seria apenas um, mas dois, pois acrescenta aos problemas de aprendizagem, a denominada indisciplina escolar", que vai desde os desentendimentos mais corriqueiros - se recusar a emprestar um simples material escolar ao colega - , ao cúmulo de destratar e ofender professores, seja com palavras, seja com atos agressivos, como jogar bolas de papel, colocar cola ou percevejo na cadeira, etc.
    Um tema que está em moda na educação é a indisciplina. Ao afirmarmos isso, não desejamos dizer que não existem razões nos protestos de pais e professores. Sempre pensamos que a questão da indisciplina necessita de trabalho urgente e coletivo, mas, para que deixe de ser simplesmente "moda" ou um problema sem solução, cabe-nos buscar caminhos, começando por perguntar: O que é efetivamente indisciplina? Qual disciplina desejamos conquistar?
    Existe, por exemplo, uma disciplina em relação ao tempo: cumprir horários e prazos, entregar trabalhos nas datas estabelecidas, planejar a duração de apresentação de trabalhos, etc... E também outra entre disciplina e espaço: respeitar locais, saber guardar as coisas, retirá-las e devolvê-las ao lugar onde foram apanhadas. É também muito importante que se analise a disciplina em relação ao colega: saber esperar sua vez, respeitar a pergunta do colega, mostrar-se educado em relação às diferenças, compreender a individualidade e que sua liberdade termina quando começa a do outro. Uma disciplina que efetivamente se deseje construir avança também em sua relação com a aprendizagem: é necessário saber usar a memória; evoluir no uso da linguagem; administrar momentos de emoção; concentrar-se e diferenciar o descrever do analisar, o comparar do classificar e o deduzir do observar. Será que, muitas vezes, por não se conhecer bem essa, outras indisciplinas não são promovidas?
    Como em todo jogo entre amigos, é essencial que, ao discutir as muitas disciplinas, definam-se as sanções. Se a regra diz, por exemplo, que somente o goleiro pode colocar a mão na bola que está em jogo, sempre quando outro jogador faz uso das mãos, a falta emerge de forma natural, sem ressentimentos.
    Quando os professores de uma escola sentam-se com seus alunos e desconstroem e sabem reconstruir a plenitude da significação e dos tipos de disciplina, não apenas a aula correm mais facilmente, e a aprendizagem se realiza de maneira mais saborosa, como estudantes e mestres descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter.
   O que os educadores desejam, e neles eu me encontro, é uma disciplina ativa e consciente, marcada pelo respeito, responsabilidade, construção do conhecimento, interação, participação, formação do caráter e da cidadania.
     E isso começa em casa, com os pais, que têm que transmitir o saber fazer à criança. Eles são os primeiros modelos como demonstramos na Escola de Pais do Brasil, e por isso temos a obrigação de falarmos sempre em nossos círculos, temas tão importantes como o da Disciplina. 
Regina Lustre Azevedo Gabriele