A Cultura da Paz
A valorização da cultura da paz é dos meios de
neutralizar a violência em família. Para tanto, o amor, tolerância e boa
convivência são imprescindíveis.
Cultura é um conjunto
de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos e costumes que distinguem
um grupo social. Por seu turno, paz pode ser entendida como harmonia, concórdia, sossego,
tranquilidade, repouso, estado de não-beligerância. Juntos, esses dois
conceitos adquirem um novo significado.
Cultura da Paz: conjunto de valores, atitudes,
tradições, comportamentos e estilos de vida associados à cultura de paz,
segundo definição da ONU.
Assunto Cultura da Paz que nos leva a duas
perguntas chaves: Como estão sendo minhas escolhas e ações para favorecer a
cultura da paz na minha família e no meio em que vivo? Como venho tratando:
meus pais, meus irmãos, meus filhos, meu amor e meus amigos?
A
paz pode ser construída a partir da harmonização: pessoal, com o outro e com o
meio ambiente em que se vive. Nosso planeta, nosso país, nossa cidade, nossa
comunidade, nossa família, todos inseridos num alto índice de violência e
depredação. É necessário e com urgência investir na formação das novas gerações
e para isso conscientizar da necessidade de mudar a maneira de olhar, sentir e
de agir.
Respeitar a vida, rejeitar a violência, ser
generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta, redescobrir a
solidariedade e sorrir, são palavras de ordem para a cultura da paz. Vamos
exercitar.
Como a vida é dinâmica e um constante aprendizado,
alguns aprendizados precisam também ser desenvolvidos e/ou vivenciados
constantemente, para a cultura da paz. São eles:
- Amor a si mesmo – a agressão pode originar
quando você não está bem com você mesmo, não se respeita, não se tolera, define
para si metas inalcançáveis que levam às frustações. Enfim. Para amar o outro
será preciso se amar.
- Amor ao próximo – não cabe neste contexto confundir com o namoro,
sexo e sim se relacionar com total igualdade de consideração com o outro. Ter
como princípio não fazer ao outro, o que não queremos que nos façam. Regra
aceita e exercida, tornamo-nos colaboradores e não destruidores.
- Amor fraternal – “O amor fraterno é um sentimento de carinho
muito forte, de dedicação, de interesse pela figura do outro, gerando
sentimentos positivos e construtivos, podendo até em certos momentos, levar o
indivíduo a fazer grandes sacrifícios, que só seria capaz de fazer por ele
mesmo. Geralmente, este sentimento fraterno acontece entre irmãos, que podem
ter afinidade sanguínea ou não, e também entre homens e mulheres. É um
sentimento de dedicação absoluta, sem qualquer outro interesse, que não seja o
fazer o bem, sem jamais desejar algo em troca. Muitas vezes estes sentimentos
de afeto que ligam as pessoas, são decorrentes não só de laços familiares, como
religiosos ou patrióticos. O amor fraternal valoriza a confiança mútua, havendo
também um perfeito entrosamento entre as pessoas, porque são relacionamentos
tranquilos e afetuosos, duradouros e estáveis, profundo e compromissado.”
(www.significados.com.br).
- Tolerância – “Disposição de admitir, nos outros, modos de
pensar, de agir e de sentir diferentes dos nossos: na vida social, a virtude
mais útil é a tolerância.” (Dicionário Online)
Em todas as famílias há momentos de desavença e
devem ser encarados como oportunidades de aprender e administrar conflitos,
procurando ver as convergências também e não apenas as diferenças. Alguns
dificultadores: não saber escutar, construir ilhas de convivência (quarto
equipado – mundo próprio). Lembremos que, a diversidade enriquece a
convivência.
- Convivência – “Ato ou efeito de conviver. Trato diário;
familiaridade, intimidade”. (Dicionário Online).
O amor se faz com laços de sangue e também de
compromissos na convivência (estar, ajudar, cuidar, trocar ideias, divertir
junto). Uma situação da vida real pode servir de inspiração para resolução não
violenta de conflitos de nosso cotidiano.
É de nossa responsabilidade, de nossa família a
cultura da paz. Para tanto, é preciso:
·
Ter claro
que a família continua sendo o principal lugar para educar os filhos e precisa
ser com muito amor. Os filhos precisam sentir que sua família é o porto seguro,
local de aprendizagem dos valores e também de compartilhar de bons momentos
juntos;
·
Ter claro
que a educação não é tarefa fácil, cada época com suas dificuldades e a
atualização é imprescindível, para não correr o risco de educar como fomos
educados. Hoje diante de tanta modernidade as relações familiares estão sendo
deixadas em segundo plano por muitos, as pessoas estão se afastando, TV e
computador são objetos presentes nas casas e muitas vezes utilizados como
babás;
·
Ter claro
a importância da convivência amorosa e divertida entre familiares. Programar o
lazer em família, longe de TVs e Internet (os pais devem ser o exemplo com suas
atitudes pacificadoras. Esforçar-se para não gritar, não bater nos filhos e nem
nas coisas expressando raiva);
·
Dialogar
com clareza e honestidade (ouvindo e esperando a vez de falar, sem deixar de
ser objetivo, claro e verdadeiro, falar sem agressividade, sem ofensas
pessoais. Jamais humilhar);
·
Manter a
amizade e admiração uns pelos outros (a família é o "laboratório" por
excelência para o exercício da paz, do amor e da própria cidadania, dado que a
própria intimidade entre seus membros facilita muito mais os atritos que entre
estranhos. Um exercício muito eficaz entre o casal é o de buscar todos os meios
para manter a admiração do outro, porque se não houver mais nada para admirar,
acaba a "amizade" e, com efeito, o amor e até mesmo a paz);
·
Estar
ciente que hoje existem diferentes e novas formas de famílias;
·
Cuidar da
espiritualidade da família;
·
Aprender
a servir, porque quem serve, quem deseja servir, não se lembra de reclamar e,
em consequência, está pouco predisposto a brigar ou ficar com mau-humor.
Como família estamos inseridos numa sociedade e
podemos também contribuir. Para tanto, será necessário:
·
Respeitar
A VIDA, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, redescobrir
a solidariedade;
·
Valorizar
o outro honestamente independentemente de seu status (buscar meios adequados
para interagir e conversar com toda pessoa, independente da sua classe,
cultura, credo, formação intelectual, estado financeiro, papel social e ou
função profissional e ou política);
·
Respeitar
a liberdade de expressão (quando a comunicação for difícil ou até mesmo
impossível, dado a incompreensão e a agressividade do outro, silenciar e
esperar);
·
Procurar
desenvolver senso crítico em relação às mensagens transmitidas pelos diversos
meios de comunicação;
·
Valorizar
hábitos de vida saudáveis, fazer atividades em grupo (esportiva, educativa ou
lazer) e por consequência aprender a lidar com regras, perdas e vitórias;
·
Respeitar
o meio ambiente - preservar o planeta (respeito ao meio ambiente, desde o seu
jardim, a sua água, a sua luz até a sua fazenda de duzentos mil hectares, se
houver. Isto é, a natureza deve ser bem cuidada no micro e no macro. Cada
consumidor ou grupo de consumidores deve "saber comprar", o que
implica em adquirir bens que efetivamente precise e que possa pagar e não se
deixando levar simplesmente pela mídia e pelos modismos. Endividar-se, consumir
coisas desnecessárias com dinheiro que não tem, constituem o portal para a
perda da paz!
Podemos concluir que nossas vidas são repletas
de escolhas, desde o momento em que acordamos até o momento em que vamos
dormir. Que essas escolhas favoreçam a paz em nossas famílias, comunidades e
cidade e reflitam na cultura da paz efetivamente.
Marlene
de Fátima Merege Pereira
Associada da Escola de Pais do
Brasil – Seccional de Curitiba
Bibliografia
ANAIS da Escola de Pais do Brasil
LIVROS
-
Cá entre nós – Na intimidade das famílias – Maria Tereza Maldonado
Editora
Integrare – 2006
-
Fundamentos de Antropologia – Ricardo Yepes Stork e Javier Aranguren Echevarría
– Tradução Patricia Carol Dwyer – Instituto Brasileiro de Filosofia e ciência
“Raimundo Lúlio”(Ramon Llull) – SP 2005
-
Viver na Paz – Rafael Llano Cifuentes – Quadrante- SP – 2009
-
A Paz na Família – Francisco Faus – Quadrante - SP - 1997
INTERNET
OUTROS:
- Declaração
Universal dos direitos Humanos - Adotada e proclamada pela resolução 217
A (III)
da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
- PAZ COMO SE FAZ - Livro UNESCO – Internet